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Da Ruralidade de Lisboa ao Bairro dos Lóios

Ainda há 50 anos havia juntas de bois nas ruas. Diversas vacarias instaladas nas terras que são hoje o Bairro dos Lóios forneciam diariamente o leite que a esmagadora maioria dos lisboetas bebiam. Recuando meio século, só se via por estas bandas terra lavrada e faziam-se caminhadas até aos Olivais por meio de inúmeras quintas. Terrenos férteis para as oliveiras proporcionavam anualmente o movimento bucólico da apanha da azeitona. Até há quem diga que foi por terras dos Lóios que morou o último ferrador de Lisboa.
É inegável o passado rural desta parcela de território, hoje parte integrante de uma grande urbe como é Lisboa. Alguma nostalgia traz lembranças de quintas de sonho, de poços encantados ou até de cantinas abertas até de madrugada.
Na Quinta do Brilhante, um posto de venda fornecia víveres a quem por ali habitava. O movimento perto da Quinta do Alemão levava leiteiros num rodopio matinal em torno de uma das melhores vacarias da região. Os poços dos Cortes e da Velha encerravam lendas, mas também eram fiéis e únicos fornecedores de água potável à população.
Hoje tudo está diferente, mas resta ainda lembrar locais de convívio e galhofa até altas horas da noite, como a Tasca do Zé Grande ou a Tasca do Cabreiro.
Bem junto à presente Santa Casa da Misericórdia, o Grupo Desportivo “Jovens Rebeldes” ficava aberto até de madrugada, com um descampado em frente, onde se chegaram a realizar as primeiras missas campais.
Mais tarde a grande cidade espreguiçou-se. Timidamente foram-se rasgando ruas e construindo algumas casas. População que se realojou, ou simplesmente se instalou mais perto do pulsar da capital.
Hoje largas avenidas e viadutos misturam-se com grandes construções, sinal que os Lóios é um bairro de Lisboa por direito próprio e que a ruralidade da capital já não consegue ficar tão perto do seu centro.
Mudam os tempos, mudam-se os hábitos
No início dos anos setenta os Lóios começaram a ganhar uma nova dimensão. Uma área de realojamento para provenientes de zonas degradadas, que se alargou até mais tarde
como residências para quem regressou das ex-colónias. Mas quem procurava a capital para trabalhar também encontrou nos Lóios um local para se fixar. Como curiosidade, é um dos bairros de Marvila onde se encontra uma grande percentagem de naturais da Beira Alta. Diversas cooperativas de habitação também escolheram o bairro para edificar os seus prédios e, hoje em dia, a fusão de interesses e até de culturas coabitam num normal deambular de pessoas que escolheram os Lóios para viver ou até para trabalhar.

É inegável que esta zona da freguesia de Marvila começou por ser um laboratório de experiências para a edificação urbana.
Diversos arquitetos portugueses famosos estiveram envolvidos na edificação do Bairro dos Lóios, mas a partir de uma certa altura foram os próprios moradores que se começaram a organizar em  ssociações.
A evolução do bairro passou pela construção de condomínios e pela criação de estruturas de apoio à comunidade.
A implantação do Centro de Saúde que
contempla uma unidade de saúde familiar veio trazer benefícios aos Lóios, bem como a Associação Tempo de Mudar para o Desenvolvimento do Bairro dos Lóios, que contribuiu para uma melhoria social
no bairro. Melhorar o espaço público e a qualidade de vida no bairro tem sido também uma das preocupações da Junta de Freguesia de Marvila.

Antes:
Feira-do-Relogio-1999 MarvilaAntiga2
MarvilaAntiga2
Depois:
Feira-do-Relogio-1999 Feira-do-Relogio-1999
Feira-do-Relogio-1999