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História de Marvila

Situada entre o Aeroporto e o rio Tejo, Marvila apresenta grandes contrastes, com estreitas azinhagas e largas avenidas, a par das recentes experiências arquitetónicas, de pequenas hortas e de moderníssimas instalações industriais.

Criada em 1959, a freguesia faz remontar o povoamento do seu território a tempos pré-históricos. A comprová-lo está a descoberta de uma placa de xisto ornamentada, com cerca de 5000 anos, encontrada na quinta da Farinheira. Do período romano, encontram-se algumas lápides, bem como um friso de sarcófago, datado do século III. Em Poço de Cortes apareceu uma necrópole lusitano-romana, onde foram recolhidas uma lápide, três aras votivas e outros materiais da época. Também a presença visigoda deixou as suas marcas, especialmente na zona do Vale de Chelas, nomeadamente no convento, onde foram encontrados motivos hispano-godos, que terão pertencido a pilares ou frisos de um templo.

Dois anos após a conquista de Lisboa, D. Afonso Henriques doou à Mitra de Lisboa todas as rendas e terras de Marvila que possuíam mesquitas dos mouros. Essa herdade de grande extensão, foi dividida em duas partes pelo Bispo de Lisboa, D. Gilberto, em 1150. De uma das metades resultaram 31 courelas que o prelado entregou aos cónegos da Sé e que, a partir do século XV deram origem às muitas quintas de Marvila. Até essa altura foram muitas as instituições que aqui tiveram propriedades: Mitra de Lisboa, Mosteiros de Chelas, de S. Vicente de Fora e de Santa Cruz de Coimbra, Ordens do Templo, do Hospital e de Santiago, para além de alguns particulares.

Esta zona de Lisboa concentrou durante décadas a atividade portuária e industrial. Contudo, esta proletarização é relativamente recente. O fumo das fábricas esconde vestígios de outro tipo de ocupação, a da aristocracia que aqui habitou nos séculos XVII e XVIII, a par de algumas ordens conventuais.

Após o terramoto de 1755, muitas quintas nobres são abandonadas e surgem nos seus terrenos as duas primeiras fábricas, ambas dedicadas à estamparia de chita (1785 e 1786). Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, e a inauguração da linha férrea em 1856, a industrialização progride e assim se manterá até aos anos 50 do século XX. Em Marvila ainda abundam sinais desse tempo, como a Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata, a Abel Pereira da Fonseca, entre outras.

Na Rua do Açúcar, no século XVII, é edificado o conhecido Palácio da Mitra. D. Tomás de Almeida (1716-1754), primeiro Cardeal Patriarca de Lisboa, aqui construiu um cais onde embarcava na sua galeota rumo à cidade. No Palácio da Mitra funcionou, na era industrial, a Fábrica Seixas (Metalurgia), sendo os escritórios nos salões e a fábrica nas cocheiras. Adquirido pela Câmara Municipal em 1930, este palácio foi estação de limpeza, biblioteca (o que levou ao desmantelamento da cozinha e da capela), e mais tarde Museu da Cidade. Hoje, este edifício alberga a sede da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

No Poço do Bispo (Praça David Leandro da Silva) podemos ainda hoje observar, em perfeito estado de conservação, uma peça de mobiliário urbano, um urinol público metálico, semelhante ao que podemos encontrar no Cais do Sodré. Nesta praça, podemos ainda observar dois magníficos edifícios Art Deco, os armazéns de vinho da Abel Pereira da Fonseca e da José Domingos Barreiros.

No Largo de Chelas ergue-se, ainda hoje, o Convento de S. Félix e Santo Adrião, o qual possui um portal manuelino e galilé, classificado como monumento nacional em 1910. Pensa-se que este seja o edifício religioso mais antigo da cidade de Lisboa. Foi neste convento que, em 1898, foi instalada de pólvora sem fumo, passando depois a albergar as viúvas de militares e hoje é onde podemos encontrar o Arquivo do Exército.

Na Rua Direita de Marvila situa-se o antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição, fundado em 1660. O edifício ficou muito arruinado pelo terramoto de 1755, contudo pode ainda observar-se o claustro com seis arcos de volta perfeita e tanque ao centro, e os muitos azulejos nas escadarias e em algumas salas. Na igreja pode ver-se um tecto pintado sobre gesso, muito ao gosto do século XVII, com talha dourada a revestir todo o corpo da nave e um silhar de azulejos historiados. Na capela-mor existe ainda uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. É de realçar ainda um quadro alusivo à vida da Virgem, provavelmente da autoria de Bento Coelho da Silveira. Hoje, encontra-se aí instalada a Mansão de Santa Maria de Marvila.

Em 2006 o poeta Marvilense Ilídio Sousa criou o Hino de Marvila, tendo este sido apresentado aos Marvilense, em 2013, no Marvila dos Sabores, pela ACULMA, Associação para o Desenvolvimento Cultural e Social de Marvila, com Música e Orquestração do Maestro João Juvantes.

No dia 5 de outubro de 2016 foi inaugurada a nova sede da Junta de Freguesia de Marvila. O edifício foi inaugurado por Sua Excelência o Primeiro Ministro Dr. António Costa, pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina e pelo Presidente da Junta de Freguesia Belarmino Silva.